Crescimento dos meios de locomoção alternativos têm alterado a rotina de moradores
Por Lariel Gomes
Com a ascensão das bicicletas e patinetes alugáveis por aplicativo, o hábito de locomoção de muitos moradores do bairro Cidade Universitária II foi alterado. Em distâncias não muito grandes, estudantes e trabalhadores têm optado por esse meio de transporte alternativo, deixando de lado carros, motos, ônibus e até mesmo, a caminhada.
O preço para a utilização dos patinetes é acessível – R$ 3 de desbloqueio e primeiro minuto de uso, mais taxa de R$ 0,50 por minuto seguinte, assim como das bicicletas – R$ 1,50 a cada 15 minutos. Enquanto isso, a passagem de ônibus sofrendo aumentos consideráveis. No último dia 7 de novembro, a tarifa subiu de R$ 4,70 para R$ 4,95, registrando um aumento de 5,3% no preço. Neste caso, em curtas distâncias, a opção pelos patinetes e bicicletas acaba sendo viável, principalmente para universitários que moram na região.

Luís Gabriel, de 26 anos, é aluno de pós-graduação em demografia na Unicamp e mora a 2 km do IFCH (Instituto de Filosofia e Ciências Humanas), onde são ministradas suas aulas. Ele começou a utilizar os patinetes alugáveis recentemente para realizar o trajeto e garante que foi uma boa escolha. “Antes, todos os dias, eu ia e voltava do curso caminhando e demorava mais de 20 minutos. Indo de patinete, consigo chegar em cerca de 5 minutos e não deixo de fazer exercício físico diariamente, que é algo que prezo muito”, revelou. Em relação aos custos, ele garante que o preço pago, cerca de R$ 10 por dia, vale a pena, pois ganha tempo para exercer demais atividades no seu dia.

Em contraponto, outro morador do bairro justifica a mudança no meio de locomoção pela economia gerada. Benedicto Buscarioli tem 24 anos e, atualmente, e se desloca para o trabalho, no Cnpem (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais), através das bicicletas. Seu trajeto, que tem cerca de 3 km de distância, era feito anteriormente de ônibus. “Um dos principais motivos pela troca do meio de transporte foi a economia. Realizo o percurso em apenas 10 minutos e estou poupando no mínimo, R$ 120 por mês. Como a bicicleta não é pessoal, quando me oferecem carona, posso aceitar sem problemas”, disse ele, que mesmo sem a obrigatoriedade, se preocupa com sua segurança e só utiliza as bicicletas utilizando capacete de segurança.
João Ludgero, Chefe Global de Operações da Grow, empresa formada da união da dos patinetes Grin com as bicicletas Yellow, nos informou por e-mail a que a empresa compartilha dessa mesma preocupação. “Prevenção de acidentes é nossa prioridade. A Grow vem intensificando a cada dia suas campanhas de conscientização, pelo aplicativo, pelas redes sociais e nas ruas, em prol do uso correto e seguro dos patinetes e bicicletas”, afirmou. Ainda não existe nenhuma regulamentação para o uso dos equipamentos. Mas, os patinetes, por exemplo, contam com velocímetro, buzina, lanternas frontais e dois freios.
Ludgero também lembrou que o trabalho de aumentar a segurança dos usuários pode contar com a contribuição de diversas partes.“É importante considerar que estamos falando de um serviço novo no mundo inteiro e por isso, é recomendável que todos os agentes envolvidos no sistema discutam maneiras de aumentar ainda mais os recursos para prevenção dos acidentes. O usuário também tem a sua contribuição, procurando ser cauteloso e cordial, respeitar sempre os limites de velocidade e as regras de convivência nas ciclovias”, revelou.
Questionado ainda sobre o motivo da Cidade Universitária II ser um dos pontos escolhidos para a circulação de serviços da empresa, o Chefe Global afirmou que “em cada cidade que atuam, a escolha da região é detalhada e também estratégica, olhando os principais fluxos, demandas e conexão com outros modais de transporte”. Na principal via do bairro, Avenida Dr. Luís de Tella, inclusive, começou a ser pintada uma ciclofaixa. A Emdec informou que o local deve ser inaugurado ainda em 2019.